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ABSURDO: QUEREM CONGELAR O BITCOIN !

Presta atenção porque o que aconteceu nos últimos dias pode ser o maior terremoto da história do Bitcoin. 

Um grupo de desenvolvedores, liderado por um cara chamado Jameson Lopp, 

Fonte: Yahoo Finance

acabou de subir uma proposta oficial no repositório do Bitcoin pedindo pra congelar mais de um milhão e meio de Bitcoins.

Fonte: Cointelegraph

 Isso mesmo, congelar. Travar pra sempre. Moeda parada, sem volta. 

A gente tá falando literalmente de alguém sugerindo congelar os Bitcoins, sendo que a proposta da moeda seria, justamente, ser uma moeda inconfiscável..

Se virar realidade, o Bitcoin deixa de ser aquilo que ele sempre prometeu ser. E tem mais: isso tudo está em discussão justo agora, quando faz exatos quinze anos que o Satoshi mandou seu último e-mail conhecido e sumiu do mapa. 

Vem comigo entender essa treta.

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QUEM ESTÁ POR TRÁS DA MUDANÇA

O nome oficial dessa proposta é BIP 361. 

Fonte: Github

BIP é a sigla de proposta de melhoria do Bitcoin, em inglês. 

Todas as mudanças no protocolo do Bitcoin passam por esse processo, é assim que o ele evolui. 

O título completo dessa proposta é algo como migração pós-quântica e pôr do sol das assinaturas antigas. 

O documento foi publicado no dia 14 de abril desse ano, com seis autores. 

O nome principal é Jameson Lopp, um dos cypherpunks mais conhecidos do mundo. Que são as pessoas que lutam pela privacidade, por meio da tecnologia. 

cofundador e chefe de segurança da empresa Casa, 

Fonte: casa.io

uma das maiores empresas de Bitcoin do planeta. 

E já começa esquisito. O Lopp é exatamente a pessoa que passou a carreira inteira defendendo autocustódia, privacidade e o lema “not your keys, not your coins“, que quer dizer, se as chaves não são suas, as moedas não são suas. 

Agora ele assina uma proposta que, na prática, tira o acesso de carteiras que hoje estão funcionando normalmente.

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A TRETA NO BITCOIN

Então por que alguém proporia uma coisa dessas? 

A justificativa é o computador quântico. Essa coisa linda aqui da imagem.

Fonte: Por IBM Research – https://www.flickr.com/photos/ibm_research_zurich/51248690716/, CC BY 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=108205707

Ele é um bicho diferente do computador normal. Em vez de funcionar com zero e um, ele usa as regras da física quântica pra processar várias possibilidades ao mesmo tempo. 

Na teoria, ele consegue resolver em minutos contas que um computador comum levaria milhares de anos. E é aí que mora o problema. 

O ataque funcionaria numa janela muito específica: o intervalo entre você transmitir a transação e ela ser confirmada em um bloco.

Quando você manda Bitcoin, a transação primeiro cai numa fila pública chamada mempool. Em muitos tipos de endereço, é nesse momento que a chave pública aparece para todo mundo.

Hoje isso não tem problema, porque um computador comum não consegue transformar chave pública em chave privada. Mas o estudo citado nesse debate estima que um computador quântico poderoso poderia fazer esse cálculo em cerca de 9 minutos, em média.

E aí entra o risco: o bloco do Bitcoin sai, em média, a cada 10 minutos. 

Então, nesse cenário, o atacante veria sua transação na fila, pegaria a chave pública, tentaria descobrir a chave privada e, se conseguisse a tempo, mandaria outra transação com taxa maior, roubando as moedas antes da sua transação original ser confirmada.

É exatamente esse tipo de risco que o BIP 361 tenta antecipar.

Fonte: Bitfinity

O dia em que esse computador existir, tem gente chamando de Q-Day, o dia Q.

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O TAMANHO DA GIROMBA

E não é qualquer punhado de Bitcoin que tá nessa linha de tiro. O próprio documento da proposta cita que, em primeiro de março desse ano, mais de 34 por cento de todo o Bitcoin em circulação já tinha a chave pública exposta na blockchain. 

Por que isso é perigoso? 

No Bitcoin, a chave pública é como uma fechadura que todo mundo vê. 

Hoje, mesmo vendo essa fechadura, ninguém consegue descobrir a chave privada. 

Mas um computador quântico forte o bastante poderia transformar essa informação pública em uma porta de entrada para roubar as moedas.

Essa exposição acontece principalmente de 23 formas.

A primeira é nos endereços muito antigos, chamados P2PK, que eram usados nos primeiros anos do Bitcoin. Neles, a chave pública aparece direto quando a moeda é recebida.

A segunda é o reuso de endereço. Em muitos tipos de carteira, a chave pública só aparece quando você gasta Bitcoin. 

Então, se você recebeu moedas, nunca mexeu nelas e nunca reutilizou aquele endereço, a chave ainda pode estar escondida atrás de um hash. 

Mas se você já gastou Bitcoin daquele mesmo endereço e deixou saldo nele, ou voltou a receber naquele endereço depois, a chave pública já ficou exposta na rede.

Explicando de outra forma: enquanto a chave pública não apareceu, tem uma camada extra de proteção. 

Depois que ela aparece, uma parte da segurança passa a depender da dificuldade de transformar chave pública em chave privada. Com os computadores de hoje, isso é impossível.

O medo é que, com computadores quânticos fortes o suficiente, deixe de ser.

Fonte: CoinTelegraph

Só nos endereços antigos do tipo P2PK, reportagens sobre o BIP 361 falam em cerca de 1,7 milhão de bitcoins vulneráveis. 

Fonte: Benzinga

Parte relevante disso é atribuída às moedas antigas ligadas a Satoshi Nakamoto, o próprio criador do bitcoin. Dizem que é mais de 1 milhão de bitcoins. 

Com o Bitcoin a na casa dos 80 mil dólares, hoje tá um pouco menos, essa conta seria na casa de 80 bilhões de dólares.

Tem ainda um terceiro caso, que é o Taproot. Os endereços Taproot, ativados em 2021, deixam a chave pública aparecer no momento em que você recebe a moeda. Isso significa que toda moeda parada num endereço Taproot já está com a chave exposta, sem precisar gastar nada. E isso é uma fatia grande do Bitcoin moderno.

Ou seja na conta dos bitcoins a serem congelados, seriam 1,7 milhão BTC nos endereços P2PK antigos. Mais 5,6 milhões de BTC: dormentes há mais de 10 anos 

O que daria de 6,7 a 6,9 milhões de BTC, no total exposto a ataque quântico (o que de fato seria congelado se ninguém migrasse). 

Isso mesmo: 7 milhões de um universo de 21 milhões que vão existir. É mole?

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MAS O MEDO SE JUSTIFICA?

Você deve estar pensando assim: mas computador quântico ainda não existe, né? E está certo, comercialmente ainda não existe. 

Mas foi exatamente por causa disso que essa discussão pegou fogo agora. Em 30 de março desse ano, a divisão Google Quantum AI publicou um paper que mudou as contas. 

Fonte: Bitcoin.com

Antes, os especialistas achavam que pra quebrar a criptografia do Bitcoin seriam necessários uns vinte milhões de qubits, que é como se fosse a unidade básica do computador quântico. 

Agora o Google diz que dá pra fazer isso com menos de quinhentos mil qubits físicos. 

Muito menos poder de computação do que se imaginava. 

E o ataque levaria cerca de nove minutos, menos do que o tempo médio de confirmação de um bloco de Bitcoin, que é dez minutos. 

Na prática, um computador quântico suficientemente forte poderia interceptar uma transação enquanto ela está sendo enviada.

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VAMOS NOS DESESPERAR COM CALMA

Só que tem um detalhe importante aqui. Pra gente ter dimensão do tamanho da ameaça real, o processador quântico com mais qubits que existe hoje, o Condor da IBM, tem pouco mais de mil qubits físicos. 

Fonte: Tecnoblog

A gente tá a centenas de vezes de distância dos quinhentos mil necessários. Então o bicho não está batendo na porta amanhã. 

Mas o próprio Google anunciou que quer migrar toda a infraestrutura interna da empresa pra criptografia pós-quântica até 2029. Sim, meu amigo, é um problema para o mundo todo que usa a criptografia: seu banco, sistemas do governo, conversas privadas, comunicação militar, enfim, tudo isso. 

Embora a mídia goste de falar de computador quântico só pro bitcoin, de certa forma, o mundo todo estaria em risco.

Quando uma empresa desse tamanho toma uma decisão dessas, ela não está gastando bilhões à toa. 

Fonte: Bitfinity

Empresas estimam que a ameaça chega em três a cinco anos, não em três a cinco décadas. 

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COMO VAI FUNCIONAR

A proposta tem duas fases principais e uma área de pesquisa para recuperação. 

Na primeira fase, cerca de três anos depois da ativação, a rede deixaria de aceitar novos envios para tipos de endereço considerados vulneráveis a ataques quânticos. 

Quem ainda tiver moedas nesses endereços antigos poderia mandar os bitcoins para endereços novos, pós-quânticos, mas não receberia mais bitcoins nesses formatos antigos.

Na segunda fase, cerca de dois anos depois, ou seja, por volta de cinco anos após a ativação, fica com as moedas travadas pra sempre.

A ideia é impedir que um computador quântico roube moedas de carteiras antigas. O risco é que quem não migrar a tempo possa acabar com os bitcoins travados, a menos que consiga usar algum protocolo de recuperação aceito pela rede.

Essa recuperação ainda é a parte mais azeda. O BIP fala em possíveis mecanismos que só o dono legítimo teria e um atacante quântico provavelmente não teria. Só que isso ainda está em pesquisa, pode não funcionar para todos os tipos de carteiras antigas.

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A IDEIA É BOA?

E o próprio Lopp admitiu publicamente que a proposta é ruim. Ele postou no Twitter, que hoje se chama X, uma coisa mais ou menos assim: eu sei que vocês não gostam dessa proposta, eu também não gosto, mas eu escrevi porque gosto ainda menos da alternativa, que seria deixar os bitcoins na mão dos hackers quânticos. 

Fonte: Coindesk

Ou seja, o cara tá dizendo pra comunidade que é o menos pior. Essa frase sozinha já mostra o tamanho do problema.

Aí a comunidade rachou ao meio. De um lado, tem quem apoia a proposta. O argumento do Lopp é o seguinte: se o mercado descobrir que alguém tá conseguindo mexer nos Bitcoins antigos, nem precisa um megaroubo acontecer. Só o rumor já gera pânico. O preço despenca, a confiança evapora, o sistema inteiro entra em colapso. 

Pra ele, melhor pegar esses milhões de bitcoins, que provavelmente pertencem a gente que já morreu ou perdeu as chaves, e deixar esses caras congelados pra sempre do que ver tudo isso cair na mão do primeiro fulano com um computador quântico funcionando. É uma decisão fria, utilitária.

Mas do outro lado, tem um exército de gente séria no Bitcoin chamando isso de traição. 

Gente falando que seria um confisco.

Pessoas preocupadas não com o motivo, mas com o precedente: será que se aberta a porta do confisco, um governo não force a barra com sanções?

Mas a mais forte foi a do Phil Geiger, executivo da Metaplanet, que é uma das maiores compradoras institucionais de Bitcoin do mundo. Ele soltou uma frase que viralizou: 

a gente vai ter que roubar o dinheiro das pessoas pra evitar que o dinheiro das pessoas seja roubado. 

E ele tem razão em provocar. Porque o Bitcoin nasceu justamente pra ser imutável, pra não ser confiscável, pra não depender da boa vontade de ninguém. Tirar isso abre um precedente histórico. Se hoje o motivo é computador quântico, amanhã pode ser qualquer outra justificativa.

E tem ainda o Adam Back, que é uma das lendas máximas do movimento cypherpunk, 

Fonte: BBC

apontado inclusive como o próprio satoshi muitas vezes, o que ele nega.

Ele disse, com todas as letras, que computador quântico ainda é extremamente básico e que a gente tem pelo menos uma década pra se preparar. 

Fonte: Bloomberg Crypto

Então, do lado técnico, existe uma briga de especialistas de peso. Tem quem ache urgente, tem quem ache exagero. E o mercado, pra todos os efeitos, ainda não precificou o drama. 

E AGORA, O QUE FAZER?

Então, no meio dessa confusão toda, o que você tem que fazer se já tem Bitcoin ou está pensando em comprar? Primeiro, não entra em pânico. A proposta está em rascunho. Ela não foi aprovada, não tem data de ativação, e ainda depende de outra proposta anterior, a BIP 360, 

que está criando o endereço pós-quântica e ainda está em testes. 

O próprio Lopp disse que não acredita que seja necessário implementar isso agora. Então os seus Bitcoins, se você guarda direito, estão seguros por um bom tempo.

Segundo, pare de reutilizar endereço. Essa dica vale ouro, independente de computador quântico. Toda vez que você manda Bitcoin de um endereço, a chave pública fica exposta pra sempre. A boa prática, que todos os desenvolvedores sérios recomendam há anos, é usar um endereço novo pra cada recebimento. A maior parte das carteiras modernas já faz isso automaticamente. Se a sua carteira não faz, é hora de trocar.

Terceiro: se você não está acostumado, é assim mesmo que o sistema de consenso do bitcoin funciona. Aliás, ele só tá positivo e operante até hoje graças à comunidade, as alterações, as correções de bugs. E o debate é saudável, por exemplo, lembra do bitcoin cash? Tinha gente que dizia que aquilo era o bitcoin de verdade. Beleza, campeão, vai lá, a rede se dividiu, e o tempo provou quem tava certo.

E é muito legal ver o pessoal se mexendo já antevendo um problema que nem existe hoje. Talvez o seu banco ou empresas de tecnologia nem estão pensando nisso.

Por essas e outras que eu continuo acreditando no bitcoin, comprando. Se você também quiser começar, já sabe, tem link no primeiro comentário pra você levar mais btc pra casa a cada compra, são 20% de desconto nas taxas pra sempre.

E aí, me diz uma coisa: se fosse você decidindo, congelava os Bitcoins do Satoshi pra proteger a rede, ou deixava do jeito que tá e torcia pra dar certo? Escreve nos comentários.

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