
Irã vs EUA
Estados unidos atacando Irã. Vamos direto ao que mais interessa: isso vira Terceira Guerra ou não? E, para quem investe, como proteger o bolso sem cair em armadilhas?
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Sábado à noite, caças dos Estados Unidos decolaram do Golfo e, em poucos minutos, abateram o aiatolá Ali Khamenei.
Vamos direto ao que mais interessa: isso vira Terceira Guerra ou não? E, para quem investe, como proteger o bolso sem cair em armadilhas?
O risco de escalar existe, mas vamos nos desesperar com calma. A ideia dos Estados Unidos não é ocupar o território, até porque já viu que isso deu muito errado no Iraque, Afeganistão. Seria uma guerra sem fim, invencível.
Mesmo assim, Teerã já lançou mísseis contra bases e também aliados dos Estados Unidos. Até as seguras Dubai e Doha viram mísseis cairem nos seus quintais,. Eu tava em Doha o ano passado, e o medo era justamente esse: já tinha acontecido um ataque americano ao irã, o martelo da meia noite, contra instalações nucleares.

Mas vamos falar do impacto financeiro.
Principalmente a respeito do petróleo. Primeiro, o irã é o terceiro maior produtor da OPEP. E é estimado que 12% de todo petróleo do mundo tá ali. Claro que, durante uma guerra, esse fornecimento é muito impactado: seja por impossibilidade mesmo, ou até como arma econômica. E isso impacta o preço mundial do barril.
Mas como se não bastasse, o impacto não é só esse.
Aqui, o rolo atende pelo nome de Estreito de Ormuz.

Tá vendo esse biquinho aqui, perto de Dubai? Olha pra trás agora: do lado esquerdo, catar, bahrein, arábia saudita, kuait, iraque.
Ou seja, alguns dos maiores produtores mundiais de petróleo, o golfo pérsico.
Agora, do direito, o irã. Que controla grande parte desse estreito.
E o problema é que um quinto do petróleo do mundo passa por lá.

Aí você pensa: se ele ficar fechado por semanas, o que acontece com o preço do petróleo?
Analistas da Citi falam que bastam vinte dias de bloqueio para o barril furar a casa dos 120 dólares .

Pra você ter uma base, hoje tá na casa dos 79.

A Rússia pediu reunião urgente no Conselho de Segurança, falou em “ato de agressão” e, até agora, só isso.
A China soltou nota dura e retirou petroleiros da zona de exclusão, mais como autoproteção do que de guerra declarada.
Israel segue em alerta, mas evitando discurso de ocupação, que realmente poderia colocar ainda mais lenha na fogueira.
Mas o impacto no petróleo vai além de você que investe na Petrobras, que a gente vai falar jajá.

O problema é que o petróleo mexe com tudo que se move: desde o seu carro até o frete maritmo.
E o medo na história é claro, além do conflito armado, um estresse inflacionário que viria junto com um salto de preços do petróleo.
Primeiro, entende que toda crise geopolítica passa por três fases: o susto, filtro de realidade e digestão de dados.
A gente tá na fase um. É a hora do estress, do FUD, medo, incerteza e dúvida: muita gente sai vendendo vendendo até o que não deve.
O ouro subiu mais de três por cento até quando a gente gravava. E foi o que aconteceu em crises anteriores .

Quem já carrega um pouco de ouro na carteira dorme mais tranquilo.
Esse colchão existe para dias assim. Se você não tem nada de proteção, colocar um pequeno pedaço agora faz sentido, mas sem desesperar, porque ninguém sabe o que vai acontecer daqui pra frente.
Eu gosto muito dos ETFs de ouro, como o IAU ou GLD nos estados unidos. Se não tem conta lá, você pode comprar o GOLD11 aqui no brasil também.
Do lado da renda fixa, o Brasil ainda dorme eternamente em berço esplêndido.De taxas gordas da renda fixa.
Mesmo se a gasolina encarecer rápido e o IPCA de curto prazo subir, a Selic em quinze por cento ao ano ainda dá folga pro BC cortar juros.
Mesmo considerando que veio uma pancada de inflação no IPCA-15 de fevereiro: 0.84, o maior valor desde 2003.

Os tesouros IPCA continuam pagando inflação mais 7%

Esse juro real alto é raro fora dos emergentes. Não ignore. A classe de título IPCA segue sendo escudo e oportunidade ao mesmo tempo. Inclusive, falamos da oportunidade de dobrar seu patrimonio no IPCA+, claro, com bastante risco se fizer errado, que tá aqui em cima pra você ver depois se vale a pena.
E Chegamos às ações.

Ibovespa abriu em queda hoje.
Em dias assim, quem consome muito combustível apanha mais, caso de companhias aéreas, transporte urbano e varejo que depende de frete rodoviário. Nas belas e pavimentadas estradas brasileiras. Só que não.
Quem ganha com dólar forte ou com petróleo alto? Exportadoras de proteína, mineração, além das petroleiras.
JBS e BRF podem ganhar força se o dólar subir. Já companhias aéreas como Azul podem sangrar.
A questão é: e as empresas de petroleo BR, como a petrobras? Como ficam?
Distribuidores de combustível repassam preço, mas o governo costuma querer segurar na marra.
As ações das petroleiras brasileiras andam em sentidos diferentes quando o barril dispara.
Petrobras tende a subir menos porque o mercado teme interferência do governo na política de preços, mas ainda ganha gordura com o Brent perto dos 90 dólares.
Ainda assim, PETR3 vinha subindo mais de 4% hoje, enquanto a gente gravava.

Passar o aumento para a bomba, porém, mexe direto no bolso: gasolina e diesel representam perto de sete por cento do IPCA.
Então é assim: cada dez por cento de ajuste nos combustíveis adiciona cerca de 0,4 ponto ao índice, então a projeção oficial de algo perto de 5,8 poderia passar a mais de 6,5 por cento.
Em ano eleitoral o governo costuma preferir deixar o preço interno defasado e obrigar a Petrobras a vender abaixo do mercado externo, como ocorreu em 2022.
A estatal aguenta isso por um tempo porque tem saldo de caixa robusto, mas o lucro cai, o caixa líquido vira negativo mais rápido e o dividendo encolhe, o que explica o desconto que a ação carrega em relação às principais concorrentes no mundo.
Se o governo repetir a estratégia, o IPCA sente menos, porém o investidor na Petrobras paga a conta via menor remuneração e risco de endividamento futuro.
Também a gente vinha tendo altas nas independentes, como PRIO e na Brava Energia (antiga 3R Petroleum), aí nos gráficos do site investidor 10.


Elas respondem bem próxima a cotação do Brent, pois vendem a produção a preço internacional sem obrigação de segurar repasse.

Se o petróleo avançar até 100 dólares, analistas de corretoras estimam alta adicional de 15 a 20 por cento nesses papéis porque a alavancagem operacional é grande e o real fraco amplia a receita em reais.

Mas o momento mostra como é importante ter posição em empresas de energia e em exportadoras que, historicamente, conseguem mandar a conta do dólar alto pro consumidor pagar.
E pra quem investe fora do brasil?
Duas ações que a gente pode ficar de olho lá fora são do setor de defesa.

Como a Lockheed Martin e a Northrop Grumman.

Que vinha subindo quase 7% hoje.
Mas e agora, o que vai acontecer? Se analista pode chutar, vamos a gente também. Vamos falar de probabilidades, porque fica mais bonito.
Cenário leve: a ONU negocia cessar fogo nas próximas semanas. Ormuz reabre e Brent recua para setenta dólares. As bolsas devolvem a queda. Forma o V no gráfico. Nesse caso, segurar posições atuais e até aumentar exposição a empresas de tecnologia faz sentido.
Cenário mediano: o conflito fica restrito a ataques esporádicos e bloqueios parciais. Ormuz vira um gargalo intermitente, petróleo oscila entre oitenta e noventa e o dólar ganha força moderada.
A inflação global sobe, mas os bancos centrais usam reservas e não sobem juros agressivamente. Bolsas dão uma caranguejada, ações de energia e defesa sobem. Estratégia é manter a diversificação e reforçar sua reserva de oportunididade, tendo uma liquidez pronta para compras futuras.
Cenário pesado, mas menos provável, quero acreditar: bloqueio total de Ormuz por mais de um mês. Retaliação a navios ocidentais e sanções expandidas contra Teerã. Brent mira cento e vinte, a logística global encarece, PIB planetário contrai, bancos centrais entram em modo de contenção. Aqui, ouro pode disparar, e o índice do dólar, o DXY, dispara. Aí, esquece real forte.
De qualquer forma, dólar e ouro tem que ter um pouquinho na sua carteira, desde que o seu perfil permita, claro.
O importante é não desesperar, sair vendendo tudo. Tem gente que vende todas as ações em dias como hoje, assume prejuízo, e depois não consegue recomprar.

O histórico dos últimos cinquenta anos mostra que choques geopoliticos jogam índices para baixo em média cinco a dez por cento na primeira semana. Mas noventa por cento dos casos recuperam tudo em até doze meses, exceto quando o choque vira crise financeira.
Por enquanto não tem sinal de quebra de banco ligado ao evento. Portanto o foco é segurar nas cadeiras porque vai balançar. Mas não é terremoto, pelo menos por enquanto.
Não vai vender tudo em pânico, mas não finja que nada aconteceu. Ajusta aí o que for frágil, fortaleça o que protege, e use dados, não as notícias, para decidir.
Se você já tem patrimônio e precisa de ajuda para construir ou de manter a sua carteira de investimentos de pé em dias assim, conte com a gente, a minha consultoria CVM, a Lumen. O link tá no primeiro comentário.
Aliás, a gente falou de um movimento mais amplo, da desglobalização, que tem tudo a ver com esse vídeo de hoje. Vem assistir.

