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4 Perguntas para Entender o Brasil

Me responde as 4 perguntas:

1-Explica porque somos um dos maiores produtores de Petróleo do mundo e não refinamos combustível.

2-Como gasolina não é gasolina? 30% de álcool!

3- Segundo maior produtor de terras raras e sabemos fazer baterias?

4-Maior produtor agrícola do mundo e não temos ferrovia para levar do interior aos portos?

Concluo que Brasil faz questão absoluta de ficar como está, não é?

O Brasil chegou a produzir 5 milhões de barris de petróleo por dia, 

é o oitavo maior produtor do planeta, 

tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, é o maior exportador de alimentos que existe (é o celeiro do mundo), 

e mesmo assim, importa gasolina, não fabrica bateria, e leva soja pro porto em cima de caminhão, por estrada esburacada. Se você acha que isso não faz o menor sentido, relaxa. Porque não faz mesmo. E hoje eu vou te explicar por quê.

O comentário do Cezar basicamente resumiu, em poucas linhas, o sentimento de milhões de brasileiros. 

Bom, eu li esse comentário e pensei: eu preciso responder isso com calma, com dados, sem achismo. Porque a raiva que a gente sente tem fundamento, sim. Mas eu descobri que a realidade é ainda mais louca do que parece.

Vamos começar pelo petróleo, que é pra rir de tanto chorar. 

Em 2025, o Brasil bateu o recorde histórico de produção: média de 3,8 milhões de barris por dia.

A gente já é top 8 mundial e caminhando pra entrar no top 5 até 2031, quando a projeção é chegar a 5 milhões de barris por dia, quase tudo vindo do pré-sal. 

Em 2024, pela primeira vez na história, o petróleo virou o produto que o Brasil mais exportou, superando até a soja. Foram 45 bilhões de dólares só em óleo cru vendido pra fora. A China compra mais da metade. Parece ótimo, né? Mas aí vem o golpe.

Esse petróleo todo sai do Brasil cru, sem refinar. A gente manda embora o óleo e depois compra de volta a gasolina e o diesel já prontos, pagando muito mais caro. 

É como se você criasse boi, vendesse o boi vivo por um preço, e depois comprasse o filé mignon de volta pelo triplo. 

O Brasil importa cerca de 10% da gasolina e até 25% do diesel que consome. 

Isso porque nossa capacidade de refino é de mais ou menos 2,4 milhões de barris por dia, enquanto a gente já produz acima de 3,7 milhões. 

Ou seja, tem um buraco enorme entre o que a gente tira do chão e o que a gente consegue transformar em combustível.

E por que não refina? Primeiro, porque as refinarias brasileiras são velhas. Muitas foram construídas lá nos anos 70, pensadas pra processar um tipo de petróleo que nem é mais o que a gente extrai hoje. 

O petróleo do pré-sal é mais leve, e as refinarias foram feitas pra óleo pesado, do pós sal, da Bacia de Campos.

Segundo, porque projetos gigantes de novas refinarias, como a Abreu e Lima em Pernambuco e o Comperj no Rio, foram engolidos por atrasos, custos bilionários e escândalos de corrupção, especialmente durante a Lava Jato. 

Mas o problema não mora só na esquerda. No governo anterior, a Petrobras vendeu quatro refinarias, e a própria estatal por anos priorizou a exploração, que dá mais lucro rápido, em vez de investir em refino. 

A ideia até que era boa: a Petrobras firmou um termo com o CADE para vender oito refinarias visando reduzir seu monopólio. Mais concorrência sempre é bom, né? Bom, a questão é: são raras as empresas que decidem concorrer com a Petrobras, que numa canetada vende produto com prejuízo, por ordem de algum governante.

O resultado é esse: a gente exporta riqueza bruta e importa produto acabado. E quem paga essa conta é você, na bomba de combustível, todo santo dia. É tudo no nosso.

Vamos falar jajá da gasolina batizada de álcool.Das terras raras. E do agronegócio. Só polêmicas.

Mas antes, por falar em polêmica. Tá chegando a hora de você prestar contas com o felino maldito, o leão da receita. Diz aí nos comentários, já tá tudo no jeito, tudo prontinho? 

Nãooo?

Então segura essa dica.

Uma parte que eu sofria muito, era  declarar os investimentos na bolsa no imposto de renda. 

Se você faz na unha, sabe exatamente o que eu tô falando: é bens e direitos, provento que pode ser dividendo ou JCP, proventos em trânsito, CNPJ das ações e dos fundos imobiliários. 

Um porre. Com o risco de errar ainda e levar fumo na malha fina do leão da receita.

Só que agora você resolve tudo isso em 5 minutos. Sabe como? Com o app Grana, na função de Declaração Automática. Ele calcula e organiza os dados da bolsa e gera um arquivo pronto pra você importar no programa oficial do IRPF, com os campos já preenchidos.

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É coisa de minutos e tira um peso enorme das costas. Então, vê se larga de sofrer e assina o grana app. O link tá comentário fixado: e se você usar o cupom DINHEIRO, leva  25% de desconto no plano Mais Grana Anual. Não perde tempo que o prazo pra entregar já tá rolando.

Porque agora a gente vai para próxima pergunta do comentário: como assim gasolina não é gasolina? E é verdade. Quando você abastece seu carro com gasolina no Brasil, você não está colocando gasolina pura.

Desde agosto passado, a gasolina brasileira tem 30% de etanol anidro misturado. Antes era 27,5%. 

Pra você ter ideia, sabe quanto é nos Estados Unidos essa mistura? 10%. Agora na crise da guerra que estão liberando 15% pra dar uma batizada e não faltar combustível.

Na Europa, fica entre 2,5% e 5%. Ou seja, a gente tem a gasolina mais batizada com mais álcool do mundo. 

E sabe o que isso significa na prática? O etanol gasta mais do que a gasolina pura. Então seu carro roda menos quilômetros por litro. Você enche o tanque, paga preço de gasolina, mas é sabooor gasolina.  30% daquilo é álcool, que é mais barato de produzir. Na teoria, o preço deveria ser menor. Na prática, você já viu o preço cair na bomba? Pois é, nem eu.

Agora vem a parte que, pra mim, é a mais revoltante de todas. Terras raras. 

Se você não sabe o que são, eu te explico: é um grupo de 17 elementos químicos que estão dentro de praticamente tudo que é tecnologia. 

Seu celular, carro elétrico, turbina eólica, painel solar, equipamento militar, bateria, chip. Tudo usa terra rara. E adivinha quem tem a segunda maior reserva de terras raras do planeta? Nós. 

Reserva, tá? O comentário do Cezar falava em produção, calma que eu explico.

O Brasil detém 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, o equivalente a 23% das reservas mundiais conhecidas. Só perde pra China. 

E tem mais: em Roraima, pesquisadores descobriram depósitos com concentrações até seis vezes maiores que os da China. Se isso for confirmado e explorado, o Brasil pode virar o maior detentor mundial. O valor estimado dessas reservas equivale a quase duas vezes o PIB brasileiro.

E quanto o Brasil produz dessas terras raras? Praticamente nada. 

Em 2024, a produção brasileira foi de cerca de 560 toneladas. 

Sabe o que é isso? NADA.  No mesmo período a China extraiu 270 mil toneladas.

 O Brasil responde por meros 1% da produção global. 

A gente não domina o processo inteiro de separação e refino desses elementos. O pouquinho que a gente produz sai daqui como concentrado bruto, de baixo valor, e vai pra China refinar. 

É a mesma lógica do petróleo: manda a matéria-prima barata e compra o produto final caro. Uma tonelada de lítio bruto sai por 800 dólares. Refinada em grau de bateria, passa de 8 mil dólares. 

Uma tonelada de concentrado de lítio por menos de 2 mil dólares. Depois de refinada para grau bateria, pode chegar a US$ 20 mil por tonelada.

A gente está literalmente sentado em cima de trilhões de dólares e não sabe o que fazer com isso. 

Olha o tamanho do problema. A Grafita é um material usado na produção de aço e nas baterias de lítio.

Moçambique produzia 23 mil toneladas de grafita em 2017. Em 2022, chegou a 170 mil. 

O Brasil, que produziu 95 mil toneladas em 2018, caiu para 56,1 mil toneladas beneficiadas em 2023. 

É o mundo acelerando e o Brasil dando ré.

E por fim, o agronegócio. Esse é o capítulo que deveria ser o mais simples de resolver e, por isso, talvez seja o mais frustrante. 

O Brasil é uma potência agrícola. A safra brasileira cresce num ritmo absurdo. 90% disso é Soja e milho.

Só que 70% dessa produção vem das novas fronteiras agrícolas: Mato Grosso, Matopiba (essa região do mapa),

 Rondônia, Pará. Regiões que ficam a 1.500, 2.000 quilômetros dos portos. E como essa comida chega ao porto? De caminhão. Mais de 60% de toda a carga do Brasil viaja por rodovia. 

Estima-se que o país perca até 15% da safra de grãos só por causa de falhas logísticas. Bilhões de reais jogados fora, literalmente caindo do caminhão.

O dado é constrangedor: O Brasil tem 30 mil quilômetros de ferrovias. Parece muito? Em 1922, já tínhamos 29 mil. Ou seja, em mais de cem anos, quase não avançamos. 

E desses 30 mil quilômetros, menos de 13% têm tráfego intenso. E Mais de um terço não teve nenhuma movimentação em 2022. 

A ferrovia é o meio de transporte mais eficiente pra grandes volumes e longas distâncias: um trem pode levar 125 toneladas pelo mesmo custo que um caminhão leva 30. 

Mas o Brasil fez uma escolha histórica lá nos anos 50, durante o governo Juscelino Kubitschek. JK queria crescer 50 anos em 5 e apostou na indústria automobilística. 

Para atrair montadoras estrangeiras, o governo priorizou as rodovias e desmontou boa parte da malha ferroviária. As rodovias pavimentadas triplicaram no governo JK, enquanto os trilhos foram abandonados. 

Os governos militares depois aprofundaram esse modelo, e os governos seguintes nunca reverteram essa lógica. 

E aí a gente chegou em 2026, um país continental, que transporta riquezas do século XXI sobre infraestrutura do século passado.

Mas por que tudo isso acontece com o brasil? Na minha opinião, tem um ponto que reúne tudo isso que se chama: investimento. Tudo o que a gente falou aqui requer mais de 4 anos pra ficar pronto, não dá pra inaugurar no mandato. Político gosta de gastar dinheiro em algo que ele mesmo pode cortar a fita de inauguração. Não o concorrente dele. Longo prazo de político é a próxima eleição. A gente precisaria ter um plano de país, mas aqui só temos plano de governo mesmo.

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