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O FIM DA ESCALA 6X1: A SOLUÇÃO OU O PREGO NO CAIXÃO DAS EMPRESAS?

O Governo quer reduzir o quanto você trabalha (de 44h para 40h ou quem sabe, até 36horas por semana) e aumentar o descanso. A promessa? Sem reduzir salários. Vem ver comigo os impactos de tudo isso no seu bolso – será que é uma medida boa mesmo? Ou só mais uma em ano de eleição, com um tiro no pé do coitado do trabalhador brasileiro?

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REDUÇÃO DE TRABALHO (NÃO DE SALÁRIO)

O ministro Guilherme boulos, sim, é da Secretaria-Geral. Espera que o projeto de lei que prevê o fim da escala 6×1 seja aprovado pelo Congresso Nacional em até três meses. Sabe né, trabalha 6 dias e descansa um.

Ele foi além: é um grito de liberdade do trabalhador brasileiro. 

Pausa o vídeo e me conta sua opinião nos comentários.

Na verdade o 6X1 hoje é assim: são 44 horas semanais. Se trabalha 8 horas de segunda a sexta, fica devendo 4 pro sábado. 

O Lula assinou e mandou pro Congresso um projeto de lei com urgência constitucional pra acabar com a escala 6×1 no Brasil. 

Em paralelo, uma PEC sobre o mesmo tema acaba de ter o relator favorável na CCJ da Câmara dos Deputados, mesmo com pedido de vista da oposição que adiou a votação ontem. 

Então só pra você entender: o projeto do Lula é diferente dessa CCJ. O Governo quer redução pra 40 horas semanais e 5 dias de trabalho.

Na CCJ se discute outras propostas, como a da amiga do Ratinho, a Ericka Hilton, que quer logo é que você trabalhe 4 dias por semana.

Imagina quando tiver feriado, aí emenda a semana inteira mesmo.

A conta é a seguinte: hoje, segundo o próprio governo federal, mais de 37 milhões de brasileiros com carteira assinada trabalham mais de 40 horas por semana. A vida dessa galera pode mudar. E, se mudar do jeito que está sendo proposto, a sua vida muda também, mesmo que você nem trabalhe na 6×1. 

Por quê? Vamos nos desesperar com calma e entender o que tá em jogo.

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UM PAÍS ESGOTADO E POBRE

Imagina o seguinte. Você acorda no sábado e, em vez de pegar a chave do trabalho, vai tomar café com a sua família. Vai jogar bola com seus filhos. Vai descansar de verdade. Trabalhar seis dias pra folgar um tá mais pra sobrevivência mesmo. 

O brasileiro tá exausto. Tá cansado de ser brasileiro. Porque vamo lá, uma coisa é 6X1 em cidade pequena como a nossa: quem trabalha no sábado sai um pouco mais cedo, e ainda dá pra resolver os BO no fim do dia.

Agora, cidade grande, não adianta nada. Vai pegar o rush do mesmo jeito, trem lotado, busão. Isso pra ganhar menos de dois salários mínimos por mês. 

Sim, com base nos dados da RAIS, 66% dos vínculos formais com mais de 40 horas semanais ganham até dois salários mínimos. 

No comércio, esse número vai pra 82%. É o Brasil que trabalha demais, ganha pouco e dorme pouco. 

E olha que o Brasil também é o número um do mundo em transtornos de ansiedade,

e o segundo em síndrome de burnout.

Até aqui nem é opinião, é só informação mesmo. O ponto é o que vem a partir daqui. Porque se a coisa tá feia de salário e horário, o fim da escala 6X1 resolve tudo isso né? Veja como isso é bom pra você?

Ehhh, mais ou menos.

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Mas eu tenho certeza que você não se inscreveu em um canal só pra falar o que você quer ouvir, certo? Aliás, desafio pra você que quer ficar mais inteligente: se desafie a ouvir um pouco além das suas crenças, do que você acha que é certo, das suas concepções, preconceitos.

As pessoas mais inteligentes que eu conheço são as que menos tem certeza das coisas. Eu acho.

Mas chegou a hora de falar sobre o elefante na sala.

O brasileiro trabalha, é verdade. Aliás, pode falar mal o que quiser, o povo é guerreiro. Só que ele produz menos ainda. Calma, isso aqui não é opinião, ainda é dado: da Organização Internacional do Trabalho. 

O Brasil é apenas o 94º país mais produtivo do mundo, num ranking de 184 nações. Cada hora trabalhada por um brasileiro gera, em média, US$ 21 dólares de riqueza. Pra você ter ideia, o trabalhador do Uruguai gera US$ 38, o do Chile US$ 34, o da Argentina US$ 33. Até o trabalhador cubano, na ilha quebrada, produz mais por hora do que a gente. 

E Os Estados Unidos? Quase quatro vezes a nossa produtividade. 

E olha que o brasileiro já trabalha em média 38,9 horas por semana, menos do que 97 países do mundo. Ou seja, a gente já trabalha menos do que os outros países e o resultado do trabalho é BEM menor.É aí que a coisa começa a ficar feia.

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 O LADO DOS EMPRESÁRIOS

Aí entra a conta dos empresários. 

A Confederação Nacional da Indústria fez um estudo e estima que reduzir a jornada de 44 pra 40 horas, sem mexer em salário, vai aumentar o custo do trabalho em algum lugar entre R$ 178 bilhões e R$ 267 bilhões por ano. 

Quem não entende de economia, nessa hora tá pensando: eu quero é que se lasque o lucro do empresário malvadão.

O problema, sabe qual é? Se é um empresário grande, ele tem escolha. E grande ou pequeno, atuando aqui no brasil, a escolha quem paga é o povo.

O PIB brasileiro encolheria 0,7%, o que dá uma perda de cerca de R$ 76 bilhões. 

E olha o selo é tudo no nosso: esse estudo fala da alta no preço dos produtos e serviços. Claro, pra compensar a falta de mão de obra, a empresa tem que contratar outra pessoa. 

E essa  alta seria de em média 6,2%. Compras de supermercado subiriam 5,7%. Conta de internet, 7,2%. 

Esses números da CNI e foram apresentados na Câmara dos Deputados. Eu acho engraçado chamar os sindicatos dos empresários de “setor produtivo””. Sendo que o trabalhador que é, ou quem deveria ser, produtivo, né? Mas enfim.

Você pode achar que a CNI tá puxando sardinha pro lado dos empresários, e tá mesmo. Mas o cálculo é simples: se a empresa tem que pagar o mesmo salário por menos horas trabalhadas, o custo da hora aumenta. Esse custo vai pra algum lugar. Adivinha pra onde?

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É TUDO NO NOSSO!

Lembra do lance do empresário malvadão. Pois é, a gente tem sim empresas grandes aqui, que até podem segurar o baque e não repassar aumento. Empresas como Itaú, Vale, Magalu podem matar no peito o impacto, mesmo que reclamem na imprensa.

Mas quem sangra de verdade é o dono do mercadinho da esquina, da padaria do bairro, da farmácia familiar. Esses caras já operam com margem apertada. 

Pra manter a operação aberta nos sete dias da semana, com cada funcionário trabalhando menos, vão precisar contratar mais gente. 

Só no comércio, segundo a CNC, seriam necessárias quase 1 milhão de contratações novas pra cobrir os buracos. 

No setor de transporte, a CNT diz que são mais 240 mil contratações estimadas. 

Só que tem um problema. Hoje já existe falta de gente qualificada disponível pra essas vagas, e pequena empresa, com margem de 5% no fim do mês, não consegue engolir esse aumento sem mexer em preço. Falamos disso nesse vídeo que tá aqui em cima, do fim da CLT no Brasil, já que não acha gente pra trabalhar.

Aí você imagina: se não aparece ninguém já hoje, imagina brotar milhares e milhares de vagas.

Num cenário de uma economia boa, essas milhares de pessoas estariam sendo contratadas porque tudo tá indo bem, porque o empresáiro não dá conta de atender tanto pedido. Mas não: aumentar salário sem aumentar a produtividade, aliás, diminuindo a produtividade aqui, tem um efeito: o povo bate palma agora, mas vai pagar com inflação daqui a pouco.

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 MAS NEM TUDO VAI SER IMPACTADO

Tem o outro lado também, e eu preciso falar dele. O Sebrae fez uma pesquisa que mostrou que mais da metade dos donos de micro e pequenas empresas dizem que o fim da 6×1 não vai impactar o negócio deles. 

27% acham que vai prejudicar. 

Padarias em Florianópolis, segundo reportagem do portal NDmais, já adotaram a escala 5×2 há anos e relatam menos faltas, menos rotatividade e mais facilidade pra contratar. 

Pra quem é MEI, ou PJ, trabalha de uber, nada disso vai mudar nada.

Mas como já diria o poeta, cada caso um caso. Nessa padoca, sábado eles tomavam prejuízo.

Esse ponto é importante: tudo que vem de cima do governo, de obrigação, impacta todo mundo igual. Em setores específicos como turismo, alimentação fora de casa, hotelaria e comércio dependente de fim de semana, o impacto pode ser bem mais duro. 

Vou até falar mais disso daqui a pouco, nas minhas conclusões finais, fica aí.

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O TIRO NO PÉ

Porque agora a gente precisa falar dos impactos de tudo que é populista, ou seja, o lobo em pele de cordeiro. 

O empresário não vai engolir esse custo sozinho. Não tem como. Ele vai colocar no preço do pão, do salgado, do corte de cabelo, do almoço, da diária do hotel. 

E o trabalhador que ganhou o sábado de folga vai descobrir, meses depois, que o supermercado tá mais caro, que o uber tá mais salgado, que o curso técnico do filho subiu de preço. 

A inflação no Brasil, segundo o IBGE, fechou os últimos 12 meses até março de 2026 em 4,14%.  Sabor oficial, né? Conta aí nos comentários se subiu só 4% as coisas aí na sua realidade, no seu mercadinho.

A meta do Banco Central é 3% ao ano, com teto de tolerância em 4,5%. Ou seja, até na oficial a gente tá colado no teto. 

Imagina jogar mais inflação em cima disso, ainda que ao longo do tempo. O brasileiro acaba ganhando uma folga e perdendo poder de compra. É o imposto invisível da inflação, que ninguém vota, mas todo mundo paga.

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A INFORMALIDADE

Tem outro risco: a informalidade. 

Hoje, segundo o IBGE, o Brasil tem quase quarenta milhões de pessoas trabalhando na informalidade, o que dá menos de 40% da população ocupada do país. 

A gente falou nesse outro vídeo aqui, de muita gente com diploma indo trabalhar de uber, você viu?

E quando você aumenta o custo do trabalho formal, da CLT, qual é o caminho mais óbvio do empresário pequeno? Demitir e contratar como PJ, ou pagar por fora, ou simplesmente não contratar e botar o filho pra ajudar no balcão. 

Um estudo calculou que a proposta atual pode jogar até 1,5 milhão de trabalhadores na informalidade no curto prazo, mesmo considerando algum ganho de produtividade. 

Quem entra na informalidade perde tudo: FGTS, INSS, 13º, férias, seguro-desemprego. 

E o pior: mesmo se você gosta da proposta do fim do 6X1. Menos gente contratada aumenta ainda mais a bomba relógio do INSS. Se você quiser entender isso e por que você não vai se aposentar pelo quebrado INSS, é esse outro video aqui.

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O QUE APRENDER COM O MUNDO QUE TENTOU?

A gente não é o primeiro país a fazer isso, então vale olhar como os outros fizeram. Será que deu certo?

Bom, na América latina, só o Equador e a Venezuela possuem legalmente jornada de 40 horas. 

O Chile vai chegar lá, as com cinco anos pra completar a transição. A Colômbia também tá no meio do processo, indo de 48 pra 42 horas. 

A França foi pras 35 horas em 2000, mas ofereceu desoneração de impostos pra compensar as empresas. Guarda essa carta na manga aí, que vou falar dela.

Portugal cortou pra 40 horas em 1996 sem nenhum tipo de compensação, e mesmo assim teve queda de 2% no emprego das empresas afetadas, segundo estudo da Paris School of Economics.  E o custo por hora subiu 6%. E como salário não pode ser reduzido, um doce se você acertar quem pagou esse aumento.

Em todos os outros casos, foi processo lento, com diálogo, com compensações fiscais. O que tá sendo proposto aqui no Brasil é uma redução rápida, eleitoreira, sem desoneração das pequenas empresas e em regime de urgência. 

Sabe o que é pior: é exatamente o tipo de implementação que a própria Organização Internacional do Trabalho aponta como mais arriscada em seus relatórios.

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E AGORA, JOSÉ?

A solução de verdade não é simples, por isso mesmo político em ano de eleição nem vai falar dela.

Essa solução chama produtividade. O brasileiro não é menos esforçado nem menos inteligente que ninguém. O brasileiro produz pouco por hora porque a economia é desindustrializada, a infraestrutura é ruim, a educação tá defasada e a burocracia engessa qualquer empresa. 

Olha o exemplo do Canadá. O canadense trabalha em média 32 horas por semana, sete horas a menos que o brasileiro, e produz cerca de três vezes mais por hora trabalhada, segundo dados da OIT. 

Por quê? Tecnologia, capital, educação, infraestrutura. Reduzir hora sem aumentar produtividade é uma decisão que não fecha conta. Em algum momento alguém vai pagar a diferença. E enquanto o Congresso só fala em escala, esse debate de fundo, que é o que importa de verdade, fica de lado.

Algo que um governo qualquer menos o brasileiro poderia fazer é: as empresas que oferecerem o benefício da redução da jornada vão pagar menos impostos. Mas aí eu acordo e lembro que tô no Brasil.

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O QUE FAZER?

E aí, no fim, sobra o que pra você? Sobra a realidade de sempre. Não dá pra contar com governo, com Congresso, com sindicato. 

Você precisa cuidar do seu próprio futuro financeiro, e  esse é meu objetivo desde o começo aqui do nosso canal. Ganhar mais, economizar, investir direito para o seu dinheiro sobreviver à inflação que o governo causa no seu bolso.

Porque, no fim do dia, a gente pode até ganhar o sábado de folga, mas se o dinheiro do salário comprar menos, a gente perde tempo de outro jeito: trabalhando até mais, por fora, pra dar conta de conseguir pagar o preço das coisas.

O fim da escala 6×1 é uma bandeira humana e necessária, ninguém duvida disso. Só que sem reforma econômica de verdade, sem aumento real de produtividade e sem desoneração das pequenas empresas, a conta dessa folga pode chegar pra você embrulhada em forma de aumento no preço do pão. E o brasileiro, mais uma vez, pode ganhar a luta no papel e perder ela no bolso. Pensa nisso.

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