
A BOLHA DOS CARROS USADOS EXPLODIU
O que tá acontecendo com o preço dos carros no Brasil, hein? A Bolha do carro usado estourou, seu carro certamente hoje vale muito menos do que deveria. E o pior: quem causou isso nem foi o mercado de usados. Muito menos os carros tradicionais, à gasolina.
Então, se você tem carro na garagem, prepare o bolso que a pancada vem forte. E se você quer comprar, olha, quem diria que o brasileiro iria ter poder de escolha na hora de comprar carro, hein?
Vem ver como tudo isso mexe no seu bolso.
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UM CHOQUE NO MERCADO
Pra entender como chegamos nisso, olha esse exemplo. Imagina um cara que comprou um carro zero quilômetro em 2024 por trezentos mil reais.
Era um carro bonito, cheio de tecnologia, aquela sensação de que fez um bom negócio.
Um ano e meio depois, esse mesmo carro na Tabela Fipe vale duzentos e dezoito mil reais. Perdeu mais de oitenta mil reais. Isso é mais do que muita gente ganha em um ano inteiro.

E o pior: não foi porque o carro quebrou, não foi porque bateu, não foi porque ficou velho. Foi porque a montadora simplesmente baixou quase um quarto preço do modelo novo.
E aí, quem vai querer pagar caro no seu usado se o zero está mais barato?

Isso está acontecendo agora mesmo, com milhares de brasileiros. Aqui eu dou exemplo do meu carro, o BYD Seal, que era vendido em 2024 por R$ 299.800 na tabela cheia.
Em outubro de 2025, a própria BYD jogou o preço do modelo para R$ 250 mil numa promoção, uma redução de cinquenta mil reais de uma hora pra outra.
Simplesmente um carro com 530 cavalos com o preço de um civic.

Eu que cheguei tarde na festa e paguei 270. Aliás, tem o vídeo aqui em cima, vou deixar depois pra você ver minhas impressões do carro.
Mas assim, quem dera fosse só nesse carro. E quem dera fosse só promoção pra queimar estoque.
Olha o que acabou de acontecer. Uma montadora chinesa chamada JMEV, lançou no Brasil o EV2, um hatch elétrico de quatro portas por R$ 69.990.
Isso mesmo: um carro elétrico zero quilômetro por menos de setenta mil reais.

É mais barato que um Fiat Mobi a gasolina.
O carro é compacto, tem 3,50 metros de comprimento, motor de 40 cavalos, autonomia de cerca de 200 km no ciclo chinês e carrega na tomada 220V da sua casa em oito horas.
Tem sensor de estacionamento, câmbio automático e a versão Comfort, por R$ 75.990, já vem com multimídia e câmera de ré.
Sim, é um carro simples. Bate no máximo 100 km/h. Mas pensa no que isso significa pro mercado.
Há três anos, o elétrico mais barato do Brasil custava mais de R$ 150 mil. Agora tem um por setenta mil. Quando você coloca um elétrico zero competindo em preço com um popular a combustão, todo o mercado de usados na faixa dos R$ 60 mil a R$ 100 mil vai sentir o impacto. O comprador de carro usado nessa faixa agora tem uma opção zero quilômetro, elétrica, com custo de abastecimento ridículo. Isso muda o jogo.
Tem o bolso maior?Pensa nesse carro aqui, um geely EX5. Menos de 200 contos.
Ah, não gosto de chinês. Sabe que a Geely é a dona da Volvo, né?
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ISSO NÃO É SOBRE CARROS ELÉTRICOS
Enfim, mas essa história não é só sobre carros elétricos. O efeito cascata vai atingir você com seu carro a combustão também.
Quando a BYD baixa o preço do novo, as montadoras tradicionais precisam reagir. A Jeep, por exemplo, começou cortando R$ 20 mil do Compass 2026, uma resposta direta à concorrência chinesa.

O Compass Sport, que custava R$ 189.990, foi reposicionado pra R$ 169.990. E olhando agora no site deles, hoje, tava saindo R$ 149.990 com carro na troca.

E se o carro novo sai com promoção, o que acontece com os usados? Claro, promoção também, até nos mais novos.
Olha esses dados.

O moby perdendo 30% em um ano! Até o Ônix, o carro mais vendido do Brasil, perdeu mais de R$ 23 mil de valor na Tabela Fipe em 2026.
O Creta teve quedas de 15% na Fipe.
É uma reação em cadeia: o novo fica mais barato, e o usado derrete.
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O QUE ESTÁ ACONTECENDO?
Pra entender a treta, você precisa olhar pra um número: a participação das montadoras chinesas no mercado brasileiro era de 2,3% em 2023. Em 2024, subiu pra 6,6%. Em 2025, já era 9,6%. E no primeiro trimestre desse ano, chegou a 14,1%.

Em três anos, as chinesas saíram de quase zero pra quase um de cada sete carros vendidos no Brasil.

E a concentração é pesada: BYD, Caoa Chery e GWM sozinhas respondem por quase 94% das vendas de carros chineses aqui..
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MAIS CARRO POR MENOS DINHEIRO
E por que os chineses estão crescendo tão rápido? Porque oferecem mais carro por menos dinheiro. Vou dar um exemplo concreto.

O BYD King, um sedã médio híbrido plug-in que faz mais de mil quilômetros com um tanque, com multimídia de 12,8 polegadas, câmera 360 graus, seis airbags, bancos em couro, carregador sem fio, tem preço de tabela de R$ 170 mil.

Mas em promoção pra CNPJ, em março de 2026, saiu por menos de R$ 145 mil, mais barato que um Onix Plus topo de linha.

E mesmo no preço cheio pra pessoa física, R$ 170 mil por um sedã médio híbrido com essa lista de equipamentos é coisa que não existia aqui antes.
No segmento de SUVs, o BYD Song Pro parte de R$ 189.800 e entrega ADAS de nível 2, autonomia elétrica de até 100 km e porta-malas de 520 litros.

O Jeep Compass Sport, na mesma faixa de preço, nem oferece tração 4×4 e tem motor apenas a combustão.
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O DESCASO DAS MONTADORAS “BRASILEIRAS”
E enquanto as chinesas entregam isso, olha o absurdo que acontece do outro lado.
O Hyundai Creta Action 2026, versão de entrada do SUV, estava sendo vendido sem multimídia. 120 mil reais e não tem multimídia. Ok. Se quiser comprar como opcional custa 6 mil reais.
Mas não basta entregar nada. Tem que humilhar.
Não só não tem multimídia como vem com o buraco no painel. E fio aparecendo.
Zero quilômetro com um buraco no painel. E com fio pra você se lembrar de como as montadoras fazem a gente de trouxa, nem uma tampinha compraram.
A Hyundai mandou o popular: errei, fui neymar.
Admitiu que houve uma falha logística na entrega da peça e prometeu consertar depois. Agora pensa comigo: em 2026, você paga cento e vinte mil reais num SUV zero e ele vem sem multimídia e com fio aparecendo.
Do outro lado, por R$ 145 mil, você leva um BYD King híbrido com tela rotativa de 12,8 polegadas, câmera 360 e mais de mil quilômetros de autonomia. Qual mundo faz mais sentido?
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ESTOQUES E PROMOÇÕES
Tem mais um fator que explica essa avalanche de ofertas: o estoque de importados.

Segundo a Anfavea, em março tinha quase 260 mil carros importados parados nos pátios brasileiros, o equivalente a 169 dias de vendas, quase seis meses.
A maior parte desse estoque é de veículos chineses. Quando tem carro sobrando assim, o que acontece? Os preços caem. As montadoras fazem promoção atrás de promoção.

A BYD chegou a oferecer financiamento com taxa zero e bônus de R$ 10 mil na troca do usado. A GWM faz o mesmo. E cada desconto no novo é uma facada no valor do seu usado. É matemática pura.
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QUEM PODERÁ NOS DEFENDER?
Agora, tem gente que acha que o governo vai frear tudo isso aumentando o imposto de importação. E sim, isso vai acontecer.

Em julho de 2026, a alíquota para carros elétricos importados sobe de 25% para 35%. Híbridos plug-in vão de 28% para 35%, e híbridos convencionais de 30% para 35%. Tudo vai pro mesmo patamar dos carros a combustão.

O cronograma vem desde 2023, quando o governo decidiu retomar gradualmente a tributação que estava zerada. A pedido da Anfavea, em nome de proteger a indústria nacional. O que você acha, hein?

Só que aqui tem um detalhe importante: as montadoras que produzem no Brasil, como BYD em Camaçari e GWM em Iracemápolis, pagam alíquotas bem menores, nos regimes de montagem SKD e CKD. Então o imposto maior vai pegar principalmente as marcas que só importam. As grandes, que já montam aqui, vão sentir muito menos.
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ELÉTRICOS FICANDO MAIS BARATOS
Tem outro dado que explica por que os chineses vão continuar pressionando os preços.

O custo das baterias de lítio caiu abaixo de US$ 100 por kWh, que é o ponto em que o carro elétrico fica competitivo com o carro a combustão em custo de produção.
Com bateria mais barata, o preço de produção cai. Com fábrica no Brasil, o imposto diminui. E com escala global, a margem de negociação é enorme.

A BYD, sozinha, exportou mais de 100 mil carros só em fevereiro de 2026. Vendeu mais pra fora da china do que lá dentro, pela primeira vez na história.

O Brasil emplacou mais de 21 mil carros da BYD naquele mês. A GWM vendeu mais de 9 mil. O mercado brasileiro virou peça central na estratégia dessas empresas.
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O QUE VAI ACONTECER DAQUI PRA FRENTE?
E o que vai acontecer daqui pra frente? Se a gente considerar dolar fraco e boas ofertas de carros novos, a tendência é seguir em baixo os preços dos novos e dos usados.
Aqueles valores absurdos que cobravam por um elétrico no começo eram reflexo de pouca concorrência e demanda ainda baixa.
Agora tem fábrica local, tem concorrência entre as próprias chinesas e tem montadora tradicional sendo forçada a responder com desconto.
A tendência é convergência: carros que custavam R$ 300 mil vão ficar na casa dos R$ 200 mil, R$ 250 mil. E isso vai continuar pressionando o mercado de usados. Cada redução no preço do zero é dinheiro que sai do bolso de quem já comprou.
Segundo, o impacto varia muito conforme a faixa de preço.
Se você tem um carro popular, tipo um Onix ou um Argo, a desvalorização em reais dói menos. Perder R$ 10 mil, R$ 15 mil é ruim, mas não é o fim do mundo pra quem pagou R$ 90 mil.
MASS, meu amigo, talvez 15 mil pra inteirar pra comprar o zero, talvez continue sendo muita coisa. Aí o dono do usado tem mais margem pra negociar.
Agora, se você comprou um carro de R$ 300 mil, R$ 400 mil, a situação muda completamente.
Se o preço do modelo novo cai R$ 50 mil, como aconteceu com o Seal, quem vai querer o seu usado por um preço próximo do novo?
Nenhum comprador racional vai pagar R$ 230 mil num usado se pode sair com um zero por R$ 250 mil. Nesse caso o cara inteira os 20 mil, diferente do carro popular.
Na faixa de carros premium, a diferença entre o usado e o novo precisa ser gigante pra compensar, e isso significa que o dono do usado perde muito mais.
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E AGORA, COMPRO OU VENDO? NOVO OU USAOD?
Então, o que fazer com tudo isso? Se você tem um carro usado e está pensando em vender, a hora pode ser agora. Quanto mais tempo passa, mais modelos novos chegam, mais promoções aparecem, e mais o seu carro perde valor. A Fipe pode cair ainda mais. Se EU fosse trocar, trocaria logo.
Se não precisa trocar, fica com o carro e use. Carro é ferramenta, não investimento. Quem comprou pra usar não perdeu nada. Quem comprou achando que ia manter o valor, esse sim está num problema.
Se você está pensando em comprar um carro novo, comparA com calma.
Não olha só o preço na tabela. Compara o que cada carro entrega. Um BYD Song Pro por R$ 190 mil traz mais tecnologia e mais economia do que um Compass a combustão na mesma faixa. Mas a Jeep ainda tem mais marca e teria valor de revenda (se a fábrica não ficasse baixando o preço, né)?
Um King por R$ 170 mil faz mais de mil quilômetros com um tanque cheio e uma carga de bateria. O custo de abastecimento desses híbridos é absurdamente menor.
Faça a conta do custo total: preço de compra, combustível, IPVA, manutenção e desvalorização. Em vários estados, elétricos e híbridos já têm isenção ou desconto no IPVA. Diferente daqui de Minas, infelizmente.

Se quer comprar um usado, tem muita oportunidade surgindo com essa queda nos preços. Quem diria que o brasileiro afegão médio teria poder de escolha, né?

E fique de olho nos híbridos: segundo o CEO da Webmotors, os híbridos tiveram patamar menor de desvalorização em 2025 do que os demais.
E também modelos com boa reputação de revenda, como Toyota Corolla e Hilux, continuam segurando melhor o valor. E de fato, pelo menos por enquanto, as pickups grandes não foram ameaçadas pelos elétricos (o público aqui é extremamente conservador, sai de uma pickup pra pegar outra da mesma marca).
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NADA DO QUE FOI SERÁ…
O mercado de carros no Brasil está mudando num ritmo que a gente nunca viu. As montadoras tradicionais estão sendo obrigadas a baixar preço, melhorar equipamento e correr atrás de uma tecnologia que ignoraram por anos.
E o consumidor brasileiro, pela primeira vez em muito tempo, está no lado bom dessa disputa. Mais concorrência significa mais opções e preços menores. Só não cometa o erro de achar que carro é reserva de valor. Nunca foi. E agora, menos ainda.

