
Preço da Gasolina
Roteiro — O Preço da Gasolina, o Dilema da Petrobras e o Que Acontece com Seu Dinheiro
Você abasteceu o carro essa semana e sentiu que pagou mais caro? Pois é. Você não está louco. O litro da gasolina já bate R$ 6,30 na média nacional, o diesel passou dos R$ 6,15, e em alguns estados, como o Acre, a gasolina já custa mais de R$ 7,20.

E o pior: a Petrobras nem anunciou aumento. Então de onde vem essa alta?
Fica comigo que esse vídeo vai te mostrar um dos cenários mais tensos do mercado de energia dos últimos anos.
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Sim, meu amigo, as ações da Petrobras subiram quase 50% no ano enquanto o governo tenta segurar o preço na bomba.
E o que isso tudo tem a ver com uma guerra do outro lado do mundo, com as empresas petroleiras na bolsa, e no fim das contas, com o seu bolso?

Vamos ver tudo isso, mas já escreve aqui nos comentários. Quanto tá o litro da gasolina na sua cidade, e qual cidade também. Subiu por aí também?
Vamos começar pelo que está pegando fogo, literalmente. Se você não vive em uma caverna, tá sabendo que os Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã.
O conflito escalou rápido, o Estreito de Ormuz, que é basicamente o corredor por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo transportado no mundo, ficou parcialmente bloqueado.

O mercado entrou em pânico.

O barril de petróleo, que estava na casa dos US$ 60 há poucos meses, foi pro céu. O Brent, que é a referência internacional,chegou a pertinho de 120.

Foi a maior alta semanal desde os anos 80. Isso é coisa de louco. E aí o efeito dominó começa.
Quando o petróleo sobe lá fora, a pressão para os combustíveis subirem aqui dentro é imediata.
Mas no Brasil, a coisa funciona de um jeito diferente. Tem o selo Aqui é o Brasil?
A Petrobras, que domina quase 80% do refino no país, não segue mais automaticamente o preço internacional.
Desde 2023, a empresa abandonou a política de paridade internacional, aquele modelo em que toda vez que o barril subia lá fora, o preço aqui na refinaria subia junto, às vezes no dia seguinte. Isso gerava aquela montanha-russa de preços que todo mundo odiava.
Agora a Petrobras usa um modelo próprio, que considera o custo de produção, o câmbio, as condições do mercado interno e, sim, o preço internacional, mas sem aquele repasse automático e imediato. Na teoria, isso deveria suavizar os impactos. Na prática, cria um problema gigantesco quando o petróleo dispara como está disparando agora.

E aqui entra o grande dilema. A Abicom, que é a associação dos importadores, calculou que a Petrobras já poderia aumentar a gasolina em R$ 1,22 por litro e o diesel em R$ 2,74. Isso é uma defasagem brutal.
Se a Petrobras repassasse isso para o consumidor, o impacto político seria devastador.
Afinal, tamo em ano eleitoral. E aumento da inflação é tudo o que um candidato à reeleição não quer pelo caminho. Porque o diesel é o combustível que move o agronegócio, os caminhões, a logística inteira do país.
Já pensou nisso? Tudo que você come passa por um caminhão movido a diesel,? Se o diesel sobe, o arroz sobe, o feijão sobe, o frete sobe, tudo sobe.
Agora, se a Petrobras não repassa, o deságio, que é essa diferença entre o preço que ela cobra e o preço que o mercado internacional pratica, vai corroendo o caixa da empresa.
Mesmo que a Petrobras ganhe mais com exportação quando o petróleo sobe, porque ela exporta óleo bruto e recebe em dólar, o buraco no mercado interno pesa.
Hoje, sabe quanto a petrobras ganha por litro de gasolina? Apenas R$ 1,80, o que corresponde a 28,6% do preço final.

No diesel, a fatia é maior, cerca de 46%, algo em torno de R$ 2,80 do preço final de R$ 6,15.

O restante é imposto, etanol obrigatório, custo de distribuição e margem do posto.
Só que o Brasil é um caso curioso no mundo do petróleo. A gente produz quase 4 milhões de barris de óleo por dia, exporta mais da metade disso, mais de 51% vai para fora, principalmente para a China, que compra 45% do nosso petróleo.
Em 2024, pela primeira vez na história, o petróleo foi o produto que o Brasil mais exportou, superando até a soja.
Mas ao mesmo tempo, 26,99% da gasolina vendida no Brasil veio de importação. No diesel, esse número foi ainda maior: 33,2%.

Porque o nosso parque de refino não dá conta. A Petrobras tem refinarias que foram construídas nas décadas de 50 a 80, e nos últimos anos, em vez de investir em refino, a empresa focou na exploração do pré-sal.
Inclusive, a Petrobras me convidou pra visitar a maior refinaria do brasil, a Replan, olha eu aí de macacão, parece de fórmula 1. Aliás, dizem que a F1 que incorporou essa tecnologia posteriormente.

Mas o resultado disso é que a gente exporta petróleo bruto barato e importa derivados caros. É como vender laranja e comprar suco de volta.
Daqui a pouco eu quero falar do impacto das empresas na bolsa, mas agora vamos para a parte que lhe cabe: que afeta diretamente você que enche o tanque. O governo, diante de tudo isso, anunciou na quinta-feira, um pacote de medidas para segurar o preço do diesel.
Zerou o PIS e Cofins sobre importação e comercialização do diesel, o que reduz R$ 0,32 por litro na refinaria. Criou uma subvenção para produtores e importadores de diesel, mais R$ 0,32 por litro. Total: R$ 0,64 de redução por litro.

Por mais estranho que pareça, sim, o print da tela mostra o haddad, falando de redução de impostos. Chupa essa manga aí. Durma-se com um barulho desse.
Não pera. Para compensar a perda de arrecadação, instituiu um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto e 50% sobre a exportação de diesel.
Agora sim bateu o chassi com a placa.
O ministro fez questão de dizer que as medidas não alteram a política de preços da Petrobras e que são temporárias, válidas até a eleição. Digo, até o final do ano.

E combinou certinho com as distribuidoras: eu to baixando imposto, coisa que não é do meu feitio. Então faça-me o favor de não embolsar esse lucro não, repassem para nós, consumidores.
Porque mesmo sem aumento oficial da Petrobras, os preços nos postos já tinham subido. habeas corpus preventivo. O governo pediu ao Cade para investigar aumentos em postos da Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

As distribuidoras estavam elevando preços alegando a alta internacional do petróleo, mesmo sem reajuste na refinaria. O sindicato dos postos de Minas alertou que a defasagem no diesel já passava de R$ 2, que companhias estavam restringindo vendas, e que já havia relatos de postos secos no estado. Olha que coisa
Mas como fica o seu dinheiro na bolsa, nas empresas de petroleo?
Vamos começar com as produtoras. e Com a lider, Petrobras, que produz quase 90% de todo petróleo que sai das terras tupiniquins.
A Petrobras começou o ano com a PETR4 em torno de R$ 30,82 e agora está na casa dos R$ 44.

Isso é uma alta de mais de mais de 40%. Quando o petróleo sobe, a Petrobras tende a gerar mais caixa, especialmente porque o custo de extração no pré-sal é um dos mais baixos do mundo.

O Bradesco calcula que com o petróleo acima de US$ 80, o retorno com dividendos pode chegar a 12,5% ao ano.

A XP mantém recomendação de compra. Mas aqui mora o risco: se o governo forçar a Petrobras a segurar preços por muito tempo, a empresa perde margem, e aí o investidor paga a conta.
E a Prio? A PRIO3, que é a maior petroleira independente do Brasil, saiu de R$ 41 no início do ano para quase R$ 60.

A empresa produz cerca de 155 mil barris por dia e mira atingir 200 mil barris ainda esse ano.

E olha como o modelo da Prio é genial: ela compra campos maduros, que outras empresas não querem mais, reduz o custo de extração e extrai valor.

Mas a Prio é puramente exportadora, ela não refina, não vende gasolina no posto.
Então quando o governo criou um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto, a Prio foi uma das mais afetadas.

A Brava também desabou.

A empresa produz em torno de 75 a 80 mil barris por dia e mira chegar a 110 mil barris em 2026, com foco nos campos de Atlanta e Papa-Terra.

A Brava depende muito do preço do petróleo no curto prazo. Quando o barril sobe, ela ganha mais. Quando o governo taxa a exportação, ela sofre mais.
E as distribuidoras listadas na bolsa?
A Vibra, que é a antiga BR Distribuidora e negocia como VBBR3, e a Ultrapar, dona dos postos Ipiranga, que é a UGPA3, vivem um momento interessante.
Nos últimos meses, as duas se beneficiaram do combate à informalidade no setor.

Operações da Polícia Federal e da ANP contra fraudes tributárias e adulteração de combustíveis fizeram os postos bandeira branca perderem espaço. Sabe, os independentes?
A Vibra acumula alta de 100% em 12 meses.

Mas com a alta do petróleo, surge um novo desafio. Se a Petrobras não repassar o aumento, as distribuidoras ficam numa posição confortável no curto prazo, porque continuam comprando combustível pelo mesmo preço da refinaria.

Mas se as importações secarem, e já há relatos de importadores privados suspendendo compras porque o preço ficaria inviável, pode faltar diesel no mercado.
E a distribuidora não vende o que não tem. O Goldman Sachs avaliou que as medidas do governo são negativas também para as distribuidoras, porque a redução de tributos poderia compensar os ganhos de estoque que elas teriam num eventual reajuste.
Bom, mas o que você precisa saber para navegar bem por esse cenário?
Pra valer o seu like e a sua inscrição aqui no canal.
Primeiro, o preço do combustível no Brasil não depende só do petróleo. Depende de câmbio, de impostos, de decisões políticas e da capacidade de refino do país.
Segundo, a Petrobras está numa sinuca de bico. Se aumenta, pesa no bolso de todo mundo e gera desgaste político.
Se não aumenta, a defasagem cresce e o mercado de importação trava, podendo causar desabastecimento.
Terceiro, empresas como Prio e Brava se beneficiam do petróleo caro, mas agora enfrentam o risco do imposto de exportação.
Quarto, as distribuidoras como Vibra e Ultrapar podem ter resultados pressionados se a situação se prolongar.
E quinto, fica de olho nas medidas do governo: elas são temporárias e vão ser revertidas quando o petróleo se acalmar. Depende de quanto tempo dura o conflito no irã. Mas aí eu te pergunto: se não tem um objetivo claro na guerra, como que sai cantando vitória? E os Estados unidos podem até querer sair, tipo, gente, pra mim já deu. Tá bom até aqui. Mas e Israel, será que tá pensando assim também?
E Para o seu bolso, a dica é: pesquisa bastante os preços antes de abastecer. De repente tá valendo mais a pena o etanol, dependendo de onde você mora.
E quando alguém te diz que o combustível vai baixar logo, geralmente essa pessoa está concorrendo a algum cargo.
O cenário é de volatilidade, e como diz o mercado: em mar turbulento, quem tem informação navega melhor. E agora você tem.

