Skip links

A CHINA ACABOU DE COMPRAR O BRASIL (E NINGUÉM TE CONTOU)

Tem uma invasão acontecendo no Brasil.

Só que ela não vem com soldado, tanque, míssil, nada disso.

Ela vem com carro elétrico bonito, aplicativo no seu celular, eletrodoméstico na sua cozinha. E o mais curioso é que quase ninguém percebeu.

Durante décadas, a gente olhou para os Estados Unidos como se aquilo fosse o centro do mundo. O hambúrguer, o cinema, a música, o jeito de vestir, o jeito de consumir, até a política deles entrou dentro da nossa cabeça.

Só que agora tem outro país fazendo isso com o Brasil.

E fazendo rápido.

A China entendeu uma coisa que muita gente ainda não sacou: para ganhar influência, nem sempre você precisa convencer alguém com discurso. Às vezes basta virar desejo.

A pergunta é: isso é só comércio?

Ou o Brasil está mudando de dono sem perceber?

—————

Conta pra mim: você acha que os chineses estão comprando o Brasil? Compensa a gente vender? Quero ler a sua opinião nos comentários.

Certamente você já viu um bicho de pelúcia de carinha estranha chamado Labubu?

Lady Gaga tem.

David Beckham tem. 

 Cher tem. 

E foi o item mais buscado por brasileiro no AliExpress no ano passado.

Quem passou na Paulista esses dias e viu fila gigante de gente esperando pra comer sorvete numa rede chinesa que ninguém ouviu falar até ontem chamada Mixue?

Que tem mais lojas do que o macdonalds, diga-se de passagem.

Comprou carro novo esse ano? Tem uma boa chance de ser chinês.

Eu fiquei estudando esses dados e o que você vai ver agora é assustador. A China não tá só vendendo coisa pra gente. Ela tá comprando o Brasil pedacinho por pedacinho.

Raul Seixas estava certo. E o pior, a china tá fazendo isso sem que a gente perceba.

Este texto vai mexer com o teu jeito de pensar dinheiro. Bora nessa.

O PODER NEM SEMPRE VEM DA FORÇA BRUTA

Antes de seguir, deixa eu explicar uma palavrinha que você vai ouvir muito nesse vídeo. Soft power.

Tem dois tipos de poder no mundo. Tem o hard power, que é tiro, porrada e bomba. 

E tem o soft power, que é o poder do desejo. É quando tu compra um boneco, um carro bonitão, vê uma série, dança uma música e nem sabe que tá sendo influenciado.

Os Estados Unidos dominaram o mundo por setenta anos com soft power. 

A nossa cultura tem tudo a ver com a americana, já reparou?

Você cresceu vendo Hollywood, Disney, McDonald, jeans, Coca-Cola. Você tem opinião sobre eleição americana. Gosta ou odeia o trump. Mas talvez nem saiba o nome do vice-prefeito da sua cidade. Isso aí é soft power.

A Coreia do Sul fez a mesma coisa nos últimos vinte anos. 

K-pop, dorama, k-beauty, Parasita ganhando Oscar. Até produtos de beleza coreanos, protetores solares, K-beauty, essa eu nunca tinha ouvido falar.

Mas certamente a sua filha adolescente conhece muito bem.

E agora chegou a vez da China. E ela tá fazendo isso com uma velocidade que eu nunca tinha visto. Nem o mundo.

A INVASÃO CHINESA

Olha esse dado que vai te derrubar.

No ano passado, o Brasil virou o destino número um dos investimentos chineses no mundo inteiro. Mundo inteiro. US$ 6,1 bilhões em 52 projetos, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China.

Isso é alta de quase 45% em relação a 2024.. E presta atenção: o investimento total da China lá fora cresceu só 1,3% no mesmo período. Ou seja, eles tão vindo com o pé no peito do Brasil.

A China ficou em segundo lugar mundial em soft power no ano passado. Passou o Reino Unido pela primeira vez na história. E o Brasil? Trigésimo primeiro lugar. Parado.

Sabe o que é mais curioso?

A gente tá sendo dominado pelo chineses. E tamo fazendo carinha de quem tá gostando demais.

A opinião pública sobre a China tem crescido positivamente.

Enquanto a visão dos Estados Unidos só cai. Claro, né, nem aliados estão escapando do martelo taxador do trump… Imagina quem tá em cima do muro. A visão de America First do trump, primeiro os Estados Unidos, dá nisso mesmo.

A gente vai criando ranço da coisa. Os americanos tão perdendo o jogo do desejo. E os chineses, ganhando.

A CHINA PAULISTA

A última cena dessa novela aconteceu na Paulista, no Shopping Cidade São Paulo.

A Mixue chegou ao Brasil. Talvez tu nunca tenha ouvido falar nessa marca, mas presta atenção: ela é a maior rede de fast food do mundo. Maior que o McDonald. Sessenta mil lojas espalhadas por aí. Sessenta mil.

Na inauguração, fila gigante. Influenciador entrando, saindo. 

Boneco de neve mascote dançando na calçada. Em menos de um mês, abriram outra loja no centro de São Paulo. 

A meta nesse ano é abrir entre 60 e 100 unidades no país. Investimento previsto: R$ 3,2 bilhões, incluindo fábrica.

Pensa comigo. Faz dez anos que a única referência de fast food internacional pra gente era McDonald, Burger King, Subway. Tudo americano. 

Tudo com aquela cara de american way of life. Hoje, na avenida mais cara do Brasil, é uma rede chinesa que faz fila.

É só o começo. Olha o que vem por aí.

A CHINESA QUE VIROU A MAIOR DO MUNDO

Em 1977 nascia em Jiangsu, na China, um menino chamado Changpeng Zhao. Vulgo CZ para os íntimos.

Olha a ironia: CZ chegou a trabalhar no McDonald’s pra ajudar em casa. 

Depois estudou ciência da computação, foi pra Bolsa de Tóquio, e desenvolveu softwares pro mercado financeiro.

Em 2013, conheceu um bichinho chamado bitcoin. Pirou, assim como eu lá em 2017. Mas ele foi além, fez algo que eu não te recomendo nunca: vendeu a casa que tinha e largou o emprego pra investir tudo.

Em julho de 2017 lançou a Binance. Teve que mudar a sua sede para o exterior no mesmo ano devido à proibição de corretoras criptos pelo governo chinês.

Em seis meses, seis meses cara, a Binance virou a maior corretora de cripto do mundo em volume de negócio. 

Hoje tem mais gente que é cliente na Binance do que gente vivendo no Brasil. São 300 milhões de usuários!

E o Brasil tá entre os maiores mercados dela.

A Binance é nossa parceira aqui no DCV e liberou pros nossos inscritos 20% de desconto nas taxas pra sempre, pra você que estudou e quer comprar os seus primeiros bitcoins. Pra sempre. Só clicar aqui.

————–

A LIBERDADE FOI CONQUISTADA

Já ouviu falar na Ai-Cha?

Em fevereiro deste ano, abriu na Liberdade, em São Paulo, a primeira loja dessa empresa. 

O nome significa amor ao chá em mandarim. É uma rede que tem alma 100% chinesa, mesmo sendo registrada na Indonésia.

Eles passaram nove meses estudando o brasileiro antes de abrir. Descobriram que 65% do fluxo na Liberdade é da geração Z e Alfa, ou seja, gente Xovem. 

Descobriram que brasileiro gosta de doce mais doce que asiático. E descobriram que limão siciliano, padrão da rede no mundo todo, não dialoga com a gente. Trocaram pelo limão tahiti. O Brasil é o único país do mundo onde a Ai-Cha usa nosso limão.

Ticket médio? R$ 17,80. Preço de R$ 3 a R$ 20.

Em menos de três meses de operação, a única loja já atendeu 29 mil clientes e faturou R$ 340 mil. Mais que o dobro da projeção inicial. A meta é abrir 150 lojas no Brasil em um ano. Sem cobrança de royalty. Sem taxa de publicidade. Igualzinho a cacau show. Né?

Sabia dessa? Eu também não sabia. Tá tudo acontecendo sob o nosso nariz.

O BICHO QUE OS GRINGOS COMPRARAM

E tem o tal do Labubu. Esse aqui é o exemplo mais doido.

É esse bichinho de pelúcia de carinha de monstrinho louco, criado por um artista de Hong Kong e vendido pela empresa chinesa Pop Mart.

Caiu no gosto da galera famosa lá fora e virou febre.

E aqui no Brasil? Foi o item mais buscado por brasileiro no AliExpress em 2025. Brasileira pira por aquele bicho. Tem imitação por toda a 25 de Março, pra quem conhece o comércio popular.

No ano passado a empresa valia mais na bolsa do que a nossa Vale, a mineradora, que é uma potência de exportação.

Olha que coisa engraçada. O Brasil não exporta novela mais como antigamente, não exporta cantor pra fora, não exporta brinquedo. A China exporta tudo isso pra gente. E a gente abraça.

EU VEJO CHINA. COM QUE FREQUÊNCIA? O TEMPO TODO.

E não para por aí. O TikTok, com algoritmo da chinesa ByteDance, tem mais de 100 milhões de usuários ativos no Brasil. 

Terceiro maior mercado da plataforma no mundo.

Sem contar a Shein, Temu, Aliexpress. Brasileirada rachando de comprar em loja chinesa

O 99 de transporte é da DiDi, gigante chinesa. 

A Meituan, maior empresa de delivery do mundo, chegou em 2025 com a Keeta pra brigar com o iFood.

A CHINA NA TUA COZINHA

A Midea, marca chinesa de eletrodoméstico, é hoje a terceira maior empresa de linha branca do Brasil. Linha branca é geladeira, fogão, lavadora, essas coisas grandes brancas que a gente tem em casa.

Chegaram a patrocinar o Corinthians, 

fecharam parceria com a CBF 

e botaram o logo na camisa dos árbitros. Toda partida transmitida na televisão, lá tá o nome Midea aparecendo. 

E ainda contrataram o Tadeu Schmidt, o cara do Big Brother, pra estrelar comercial.

E foram além. Estudaram o brasileiro antes de fabricar localmente. Descobriram que pra dona de casa brasileira, o tamanho do freezer dentro da geladeira é decisivo. Adaptaram. A fábrica deles é aqui do lado da gente, em Pouso Alegre, em Minas, fez mais de um milhão de unidades só em 2025.

A CHINA NA TUA GARAGEM

Mas a coisa fica mais pesada na garagem.

Em abril desse ano, 15% de todo carro vendido no Brasil saiu da China. 

As marcas chinesas já vendem mais que as japonesas no Brasil. É de cair o queixo. A BYD sozinha já vende mais do que Toyota e Honda. É mole ou quer mais?

E pela primeira vez na história, o carro mais vendido no varejo brasileiro é chinês.

Vende mais dolphin mini do que HB20 no brasil, meu amigo. Por essa, Sérgio Habib não esperava.

A BYD comprou a fábrica que era da Ford em Camaçari, na Bahia. A Ford abandonou aquela planta em 2021 e mandou centenas de família pra rua. 

A BYD investiu R$ 5,5 bilhões. Em outubro do ano passado já tava produzindo. Já fez mais de 20 mil veículos lá.

E não é só BYD. A GWM inaugurou fábrica em São Paulo. 

E a Geely, outra montadora chinesa que já era dona da Volvo, 

comprou 26,4% da Renault do Brasil. Vão produzir carro elétrico juntos. Sem contar as montadoras tradicionais trazendo os carros chineses pra cá, como o saborr chevrolet, o Spark. Que é um chines com etiqueta GM.

É mole?

COMO INVESTIR NAS EMPRESAS CHINESAS

Se você quer pegar uma fatia dessa onda chinesa, tem jeito. 

No Brasil, na própria B3, o ETF mais antigo é o XINA11, da XP, que replica o índice MSCI China e te dá Tencent, Alibaba, Meituan e BYD dentro de uma cota só, com lote mínimo de uma cota. 

Desempenho bem se a gente considerar os últimos 5 anos, viu? Mas, como mostra o site investidor 10, teve essa subida boa desde o começo de 2024.

Em maio do ano passado, a Bradesco Asset lançou mais dois ETFs chineses na B3: 

O PKIN11 segue o CSI 300, índice com 300 das maiores e mais líquidas ações negociadas em Xangai e Shenzhen.

e o TECX11, focado no ChiNext de tecnologia e manufatura e inovação. 

Tudo negociado em real, na corretora que tu já tem, sem precisar abrir conta no exterior. 

Pra quem tem conta nos Estados Unidos, as opções são mais antigas e mais líquidas: 

A primeira é o MCHI da iShares, que é justamente o ETF americano que o XINA11 já compra por baixo dos panos. Comprando direto lá fora tu pula o intermediário.

O FXI também da iShares pega só as 50 maiores listadas em Hong Kong, 

e o KWEB concentra na parte de internet e inteligência artificial, com Alibaba, JD.com, Tencent, Baidu, PDD e Meituan dentro. 

O fato é: vários deles aí patinando feio nos últimos anos. Então, antes de comprar qualquer um desses, presta atenção no risco. 

ETF de país único é volátil pra caramba. 

O KWEB chegou a cair mais de 70% do pico em 2021, 

quando o Partido Comunista apertou o cerco em cima das big techs e ferrou a Alibaba. 

Tencent e Alibaba juntas pesam quase um quarto do MCHI, ou seja, qualquer canetada de Pequim te derruba a carteira inteira. Se for entrar, eu colocaria no máximo entre 5% e 10% do patrimônio. 

DICAS PRÁTICAS PRA QUEM PRESTA ATENÇÃO

A China entrou pelo carro, pelo aplicativo, pela cozinha, pelo brinquedo, pelo sorvete da Paulista. Amanhã vai entrar por outras coisas. Quem dorme acordado nessa hora se dá bem.

Esse vídeo eu fiz pensando em quem trabalha duro a vida toda e não quer ver o esforço virar pó. Eu não sou contra a China nem a favor dos Estados Unidos. Eu sou a favor da família que cuida da grana com inteligência.

Eu fui na China o ano passado e fiz um vídeo com a minha visão, de tudo o que eu vi lá. Você pode conferir no meu canal. Tem também essa outra playlist pra você entender como os chineses sacudiram o mercado de novos e usados, mesmo que você nem queira saber de carro elétrico.

Leave a comment

Nosso site utiliza cookies para aprimorar a sua navegação